Caixa de ovos verde com seis ovos castanhos, um deles partido, sobre uma tábua de madeira
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Foto: Krzysztof Golik, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, adaptada

«Consumir até» ou «consumir de preferência antes de»: qual é a diferença

«Consumir até» fala de segurança, «consumir de preferência antes de» fala de qualidade. O que diz a lei e como desperdiçar menos em casa.

Nesta página
  1. O que significa «consumir até»?
  2. O que significa «consumir de preferência antes de»?
  3. Posso comer um alimento depois da data?
  4. Depois de aberto, o prazo muda?
  5. Como guardar os alimentos para durarem mais?
  6. Quanto se desperdiça e como desperdiçar menos?

Quase todos os alimentos embalados trazem uma de duas datas: «consumir até» ou «consumir de preferência antes de». Parecem iguais, mas uma diz até quando o alimento é seguro e a outra até quando mantém a sua melhor qualidade.

Dois cartões: «Consumir até» é uma data de segurança, e depois dela o alimento não deve ser consumido; «Consumir de preferência antes de» é uma data de qualidade, e depois dela o alimento pode continuar seguro
Duas datas, duas perguntas. Fonte: Regulamento (UE) n.º 1169/2011 e EFSA

O que significa «consumir até»?

É a data-limite de consumo, uma data de segurança. Usa-se em alimentos microbiologicamente muito perecíveis, que ao fim de pouco tempo podem representar um perigo imediato para a saúde, como a carne e o peixe frescos. Depois dessa data, a lei considera o alimento não seguro, e a ASAE lembra que já não pode ser vendido.

No rótulo, indica pelo menos o dia e o mês, vem com as condições de conservação e aparece em cada porção individual pré-embalada. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) é clara: estes alimentos não devem ser comidos depois da data, mesmo que pareçam e cheirem bem.

O que significa «consumir de preferência antes de»?

É a data de durabilidade mínima, uma data de qualidade: até ela, o alimento mantém as suas propriedades específicas, desde que conservado nas condições adequadas. Aparece em alimentos pouco perecíveis, como massa, arroz, conservas, farinha e azeite.

Quando a data indica o dia, a menção é «consumir de preferência antes de»; nos outros casos, «consumir de preferência antes do fim de». Para produtos que duram menos de três meses, bastam o dia e o mês; entre três e dezoito meses, o mês e o ano; acima de dezoito meses, só o ano.

Não há uma lei que fixe a durabilidade de cada tipo de alimento: é o próprio operador que define a data, com testes de estabilidade, explica a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Alimentos que não precisam desta data

A lei dispensa-a, entre outros, na fruta e nos hortícolas frescos não descascados nem cortados (as sementes germinadas são exceção), nos vinhos e nas bebidas com 10% de álcool ou mais, no pão e nos bolos que se comem nas 24 horas a seguir ao fabrico, no vinagre, no sal de cozinha, no açúcar sólido e nas pastilhas elásticas.

Posso comer um alimento depois da data?

Depende da data. Com «consumir até», não: depois dessa data o alimento é considerado não seguro. Com «consumir de preferência antes de», a EFSA explica que o alimento continua seguro depois da data, embora possa já não estar no seu melhor. A própria definição da lei pressupõe que foi guardado nas condições adequadas, por isso siga o que o rótulo indica.

Assim, a pergunta sobre um iogurte fora do prazo não tem resposta única: depende da menção que está na embalagem.

Segundo a DGAV, as lojas podem vender produtos com a data de preferência ultrapassada, se garantirem a sua segurança e informarem o cliente. Com «consumir até», a venda é proibida.

«não existe proibição de venda após expirar a data indicada na rotulagem» DGAV, 2018

Depois de aberto, o prazo muda?

Pode mudar. A lei prevê que, quando for adequado, o rótulo indique as condições de conservação e o prazo de consumo depois de aberta a embalagem. A DGS aconselha a respeitá-los sempre.

Como guardar os alimentos para durarem mais?

Os conselhos do manual «Alimentação Inteligente» da DGS:

  • Ao chegar das compras, arrume primeiro o que vai para o frio. No caminho, um saco térmico ajuda a manter a temperatura.
  • Guarde o resto numa despensa fresca, seca e sem sol.
  • Organize a despensa, o frigorífico e o congelador pelos prazos, e consuma primeiro o que tem a data mais curta.
  • Não encha demasiado o frigorífico: o ar frio precisa de circular.
  • O que sobra de uma lata aberta vai para o frigorífico, noutro recipiente adequado.
  • Deixe a comida cozinhada arrefecer, mas não mais de duas horas, antes de a guardar. No frigorífico conserva-se com qualidade durante 3 dias; o que não contar comer nesse prazo deve ir para o congelador.
  • Congele em porções de uma refeição, em embalagens identificadas e datadas. Descongele de preferência no frigorífico e nunca volte a congelar o que já descongelou.

No congelador a -18 °C, a DGS indica, por exemplo, 3 meses para o pão e os peixes gordos, 6 meses para os peixes magros e 12 meses para a carne de vaca e os hortícolas.

Quanto se desperdiça e como desperdiçar menos?

Em 2024, Portugal gerou 161 kg de desperdício alimentar por habitante, 105 kg dos quais nas casas, segundo o Eurostat (dados publicados em setembro de 2026). A média da União Europeia foi de 129 kg por habitante, 69 kg nas casas. A Comissão Europeia estima, com base num estudo de mercado de 2018, que até 10% do desperdício alimentar gerado todos os anos na UE está ligado à marcação de datas.

Prato de açorda com pedaços de pão, ovos escalfados, azeite e ervas
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Foto: Ramessos, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, adaptada

Formas simples de desperdiçar menos, sugeridas pela DGS:

  1. Planeie as refeições da semana antes de ir às compras.
  2. Faça uma lista, cumpra-a e não vá às compras com fome.
  3. Compre a quantidade exata de que precisa.
  4. Reaproveite as sobras: aquecidas no mesmo prato ou transformadas noutro, como pão em açorda, legumes em sopa ou fruta madura em compota.

Antes de deitar fora, veja a data: um «consumir de preferência antes de» ultrapassado não é um «consumir até».

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