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Foto: Pasquale Paolo Cardo, Wikimedia Commons, CC BY 2.0, adaptada
A Roda dos Alimentos: o guia alimentar português, explicado
O que é a Roda dos Alimentos, os seus sete grupos e proporções, a água ao centro e como a ler no dia a dia, segundo a DGS e a FCNAUP.
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A Roda dos Alimentos é o guia alimentar que a Direção-Geral da Saúde (DGS) divulga para a população portuguesa: um círculo dividido em sete grupos de tamanhos diferentes, com a água ao centro. A versão atual é de 2003 e foi criada pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) com o então Instituto do Consumidor.
Guia geral: não substitui o conselho de um nutricionista ou médico para um caso concreto.
O que é a Roda dos Alimentos?
É uma imagem que ajuda a escolher e a combinar os alimentos do dia. Cada segmento junta alimentos com propriedades nutricionais semelhantes, e o seu tamanho indica o peso que esse grupo deve ter na alimentação diária.
A primeira Roda portuguesa nasceu em 1977, na campanha de educação alimentar «Saber comer é saber viver». A versão de 2003 manteve o círculo, que lembra um prato, e trouxe como novidades a divisão de alguns grupos e as porções diárias.
«o círculo não hierarquiza os alimentos mas atribui-lhes igual importância» FCNAUP e Instituto do Consumidor
Quantos grupos tem e quanto pesa cada um?
Tem sete grupos. A percentagem é a parte do peso dos alimentos de um dia; depois vêm as porções diárias.
- Cereais e derivados, tubérculos: 28%, de 4 a 11 porções.
- Hortícolas: 23%, de 3 a 5 porções.
- Fruta: 20%, de 3 a 5 porções.
- Laticínios: 18%, de 2 a 3 porções.
- Carne, pescado e ovos: 5%, de 1,5 a 4,5 porções.
- Leguminosas: 4%, de 1 a 2 porções.
- Gorduras e óleos: 2%, de 1 a 3 porções.
Porque está a água no centro?
Porque não tem grupo próprio: faz parte de quase todos os alimentos. Como é indispensável à vida, a Roda recomenda bebê-la em abundância todos os dias. As necessidades variam entre 1,5 e 3 litros por dia, e o cartaz das porções da DGS aponta para pelo menos 1,5 litros, que ilustra com oito copos de 200 ml.
Para matar a sede, a água é a melhor bebida; o folheto admite outras sem açúcar adicionado, álcool ou cafeína.
O que conta como uma porção?
As porções foram calculadas por equivalência de nutrientes, por isso nem sempre correspondem ao que se serve de uma vez. Exemplos do folheto:
- Cereais e tubérculos: um pão (50 g), uma batata e meia de tamanho médio (125 g) ou quatro colheres de sopa de arroz ou massa cozinhados (110 g).
- Hortícolas: duas chávenas almoçadeiras de hortícolas crus (180 g) ou uma de cozinhados (140 g).
- Fruta: uma peça de tamanho médio (160 g).
- Laticínios: uma chávena almoçadeira de leite (250 ml) ou duas fatias finas de queijo (40 g).
- Carne, pescado e ovos: 30 g de carne ou pescado crus (25 g cozinhados) ou um ovo médio (55 g).
- Leguminosas: uma colher de sopa de grão, feijão ou lentilhas secos e crus (25 g) ou três colheres de sopa já cozinhados (80 g).
- Gorduras e óleos: uma colher de sopa de azeite ou óleo (10 g).
Por esta conta, 120 g de peixe cru correspondem a quatro porções do seu grupo.

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Foto: HaJunkiyada, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, adaptada
Quantas porções são para cada pessoa?
Depende das necessidades de energia de cada um. Segundo o folheto, as crianças de 1 a 3 anos guiam-se pelos limites inferiores, os homens ativos e os rapazes adolescentes pelos superiores, e o resto da população pelos valores intermédios. Os limites foram calculados para 1300 e 3000 kcal por dia; os valores intermédios correspondem a um plano de 2200 kcal.
Nos laticínios, o folheto indica 2 porções para a generalidade da população e 3 para crianças e adolescentes.
Como ler a Roda no dia a dia?
O guia resume-se em três palavras: uma alimentação completa, equilibrada e variada.
- Completa: alimentos de todos os grupos e água, todos os dias.
- Equilibrada: mais dos grupos maiores, menos dos menores, até ao número de porções recomendado.
- Variada: alimentos diferentes dentro de cada grupo, de dia para dia, de semana para semana e ao longo das épocas do ano.

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Foto: Duarte Briz, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0, adaptada
Dentro de um grupo, os alimentos podem e devem trocar-se entre si, por exemplo arroz por batata ou maçã por laranja. Entre grupos, não: cada um tem funções próprias e nenhum substitui outro.
O folheto deixa ainda três lembretes: os doces e produtos açucarados ficam para ocasiões festivas, não para todos os dias; o sal deve ficar abaixo de 5 g por dia; e ler os rótulos ajuda a escolher produtos com menos açúcar e menos sal.
A Roda da Alimentação Mediterrânica, apresentada como complemento da Roda de 2003, junta conselhos de estilo de vida: escolher alimentos locais e da época, usar ervas aromáticas, partilhar refeições e mexer-se.
Há uma nova Roda dos Alimentos em 2026?
Não, até à data desta verificação. A página da DGS sobre a Roda, atualizada a 20 de novembro de 2024, continua a apresentar a versão de 2003. Segundo a RTP, o relatório de 2019 do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável defendia uma revisão até ao final de 2020, mas não foi encontrada nenhuma versão nova publicada.
Em junho de 2026, ao perguntar porque é que Portugal não adota uma pirâmide como os Estados Unidos, o Público ouviu especialistas que consideram a Roda portuguesa ainda atual.



