Diapasão metálico pousado sobre uma partitura
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Foto: Lukasz Kobus/Comissão Europeia, Wikimedia Commons, CC BY 4.0, adaptada

«Frequência vibracional»: de onde vem a ideia e o que diz a ciência

O que é a frequência vibracional, como nasceu no Novo Pensamento e na lei da atração, e o que a física e a psicologia dizem.

Cultura e ideias: de onde vem uma crença e o que a ciência diz sobre ela. Não é aconselhamento de saúde.

Nesta página
  1. O que é a frequência vibracional?
  2. De onde vem a ideia?
  3. Porque faz sentido para tantas pessoas?
  4. Frequência vibracional em hertz: o que diz a física?
  5. O que diz a ciência sobre o que as pessoas sentem?
  6. Então, como aumentar a frequência vibracional?

A «frequência vibracional» é a ideia de que cada pessoa emite uma vibração, mais alta ou mais baixa conforme os pensamentos e as emoções, e de que essa vibração atrai acontecimentos parecidos. Nasceu em correntes espirituais do século XIX e usa palavras da física, como «frequência», «energia» e «vibração», com outro sentido.

O que é a frequência vibracional?

Para quem usa a expressão, os pensamentos e os sentimentos «vibram». A gratidão, a alegria ou o amor teriam uma vibração alta; o medo ou a culpa, uma vibração baixa. «Elevar a vibração» seria cuidar do estado de espírito para atrair experiências do mesmo tom. A ideia circula em livros, vídeos e redes sociais, por vezes com tabelas que dão a cada emoção um número.

De onde vem a ideia?

Vem de um novo movimento religioso dos Estados Unidos, o Novo Pensamento (New Thought). Segundo a Wikipédia, inspirou-se nos ensinamentos de Phineas Quimby (1802 a 1866), curandeiro e mesmerista norte-americano, e defendia que a mente tem poder sobre a saúde e a vida. Os ensaios de Prentice Mulford, publicados entre 1886 e 1892, ajudaram a formar a ideia de uma «lei da atração».

O livro que pôs as duas ideias no título saiu em 1906, numa editora de Chicago chamada The New Thought Publishing Co.: Thought Vibration or the Law of Attraction in the Thought World, de William Walker Atkinson. Logo no primeiro capítulo, o autor compara os pensamentos à luz, ao calor, à eletricidade e ao magnetismo, e diz que a diferença está só no ritmo da vibração.

«Quando pensamos, enviamos vibrações de uma substância etérea subtil» William Walker Atkinson, 1906 (tradução nossa)

Um século depois, o filme e o livro O Segredo, de Rhonda Byrne (2006), levaram a lei da atração a um público mundial, com traduções em dezenas de línguas.

Porque faz sentido para tantas pessoas?

Na nossa leitura, a linguagem da vibração dá nome a coisas que quase toda a gente sente, como o humor que muda a cor do dia. Oferece um gesto concreto (parar, respirar, agradecer) e a esperança de alguma influência sobre a própria vida, e as palavras da física dão-lhe um ar de rigor.

Frequência vibracional em hertz: o que diz a física?

Na física, a frequência é o número de vezes que um fenómeno se repete por segundo, e mede-se em hertz (Hz). No Sistema Internacional de Unidades, mantido pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM):

  • o hertz só deve ser usado para fenómenos periódicos, isto é, que se repetem com regularidade;
  • o próprio segundo é definido por uma frequência: a de uma transição do átomo de césio 133, de 9.192.631.770 Hz;
  • a luz usada na definição da candela, a unidade de intensidade luminosa, tem uma frequência de 540 biliões de hertz.
Relógio atómico de césio de 1975, que serviu o Observatório de La Silla do ESO, no Chile
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Foto: ESO, Wikimedia Commons, CC BY 4.0, adaptada

Uma emoção não é um fenómeno periódico com um valor em hertz. Por isso, quando se diz que um sentimento «vibra» a tantos hertz, a palavra está a ser usada como imagem, não como medida no sentido da física.

O que diz a ciência sobre o que as pessoas sentem?

Há investigação séria sobre fenómenos próximos, com resultados interessantes e limites claros.

Otimismo

Uma meta-análise de 15 estudos, com 229.391 pessoas seguidas em média durante 13,8 anos (JAMA Network Open, 2019), associou o otimismo a um risco 35% menor de problemas cardiovasculares e 14% menor de morte por qualquer causa. São estudos de observação: mostram uma associação, não que pensar de forma otimista seja a causa. Os autores notam que os fatores ajustados e as escalas usadas variavam muito entre estudos.

Gratidão

Uma meta-análise de 27 estudos, com 3675 participantes (Journal of Happiness Studies, 2020), concluiu que os exercícios de gratidão têm um efeito pequeno nos sintomas de depressão e de ansiedade, maior quando comparados com listas de espera do que com outras atividades. Os autores recomendam, para esses sintomas, abordagens com provas mais fortes.

Expectativa e efeito placebo

A revisão Cochrane de 2010 juntou 202 ensaios, em 60 problemas de saúde, que compararam placebo com nenhum tratamento. Não encontrou efeitos clínicos importantes em geral. Em certos contextos, o placebo influenciou o que os doentes relatam, sobretudo a dor e as náuseas, embora seja difícil separar esse efeito de relatos enviesados.

Imaginar o futuro ou esperá-lo?

Num conjunto de quatro estudos (Journal of Personality and Social Psychology, 2002), com recém-licenciados à procura de emprego, estudantes antes de um exame e doentes à espera de uma prótese da anca, entre outros, as expectativas positivas (julgar provável um futuro desejado) previram mais esforço e melhores resultados. As fantasias positivas (saborear a imagem desse futuro) previram o contrário. Imaginar o que se deseja não substitui o caminho até lá.

Então, como aumentar a frequência vibracional?

No sentido da física, não há uma frequência pessoal medida que se possa aumentar. Mas muito do que se faz em nome dela (notar o que corre bem, agradecer, acalmar a respiração, caminhar) pode ser agradável, e algumas destas práticas têm efeitos modestos, já estudados. Quem encontra sentido nesta linguagem pode usá-la como imagem e guardar o que a ciência sugere: cuidar do humor e agir. Nenhuma destas práticas substitui um tratamento médico.

Para experimentar uma prática simples: Como meditar para acalmar a mente.

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