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Foto: Bruce Turner, Wikimedia Commons, CC BY 2.0, adaptada
Poupar no supermercado: o que funciona
Como poupar no supermercado: a lista de compras, o preço por quilo que as lojas têm de mostrar, a época, as sobras e as marcas próprias.
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Poupar no supermercado depende menos de truques e mais de três hábitos: planear antes de sair, comparar pelo preço certo e não deitar comida fora. A Direção-Geral da Saúde (DGS) reúne-os no manual «Alimentação Inteligente», e a lei dá uma ferramenta simples: o preço por quilo ou por litro na etiqueta.
Como poupar no supermercado com uma lista de compras?
Comece pela despensa, não pela loja. A DGS aconselha a planear as refeições (por exemplo, para a semana), ver o que ainda há em casa e só depois escrever a lista, organizada pelo percurso na loja, com os refrigerados e os congelados no fim. Na loja, o conselho é cumprir a lista e comprar só o que é preciso.
Dois hábitos completam a lista:
- Comer alguma coisa antes de sair: a DGS nota que, com fome, é provável comprar o que não faz falta.
- Ir com tempo, para conseguir comparar.
«Não vá ao “supermercado” com fome.» Direção-Geral da Saúde, 2012
Se houver espaço para guardar, os produtos secos (arroz, massa, feijão) podem comprar-se para o mês, porque em maior quantidade o preço pode ser mais baixo; os frescos compram-se semanalmente.
O que é o preço por unidade de medida?
É o preço de 1 kg ou de 1 l do produto, e serve para comparar embalagens de tamanhos diferentes. Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 138/90 obriga os géneros alimentícios à venda ao consumidor a mostrar, além do preço de venda, o preço por unidade de medida (artigo 1.º), em dígitos visíveis, inequívocos e legíveis (artigo 5.º). A regra transpõe a Diretiva 98/6/CE, que a apresenta como a forma mais simples de os consumidores compararem preços.
O mesmo decreto-lei tem outros pormenores úteis:
- A granel, basta indicar o preço por unidade de medida.
- Conservas e outros produtos com líquido: quando o rótulo indica o peso líquido e o peso escorrido, a loja pode mostrar só o preço por quilo do peso escorrido. Vale a pena ver a que peso se refere o valor.
- Exceções: produtos vendidos à peça, embalagens até 50 g ou 50 ml ou acima de 10 kg ou 10 l e embalagens com produtos diferentes, entre outras, não têm de mostrar o preço por quilo.
- Folhetos e catálogos impressos que indicam o preço de venda devem indicar também o preço por unidade de medida.
Embalagens maiores costumam sair mais baratas por quilo, mas nem sempre, e a etiqueta tira a dúvida em segundos. O manual da DGS dá exemplos: o leite em embalagens de 1 a 1,5 l é normalmente mais barato do que os pacotes individuais, e o queijo inteiro, ou fatiado ao balcão, sai mais em conta do que o já fatiado e embalado.
As promoções compensam?
Só se estiverem na lista. A DGS sugere consultar os folhetos e aproveitar as promoções sem esquecer a lista, e comprar maiores quantidades sobretudo de produtos secos e congelados, conforme o espaço que houver em casa.
A lei dá duas ajudas para avaliar uma promoção:
- Quando uma loja anuncia uma redução de preço, tem de indicar o preço mais baixo que praticou nos 30 dias anteriores à redução. É esse o termo de comparação.
- Na venda em lotes («packs»), deve indicar o preço total, a composição do lote e o preço de cada unidade.
Comprar fruta e legumes da época poupa?
Segundo a DGS, a fruta e os hortícolas da época são mais económicos e nutritivamente mais ricos, e nos mercados e feiras locais são frescos e normalmente mais baratos. O calendário mês a mês está no guia Fruta e legumes da época em Portugal.

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Foto: Jorge Franganillo, Wikimedia Commons, CC BY 2.0, adaptada
O mesmo manual chama a atenção para o custo dos produtos já preparados: no exemplo que dá, a alface embalada custava mais do dobro por quilo do que a alface inteira. Lembra ainda que a mesma fruta muda de preço com a categoria e o calibre, e que a maçã para um doce ou um batido não precisa das características da que se come à mão.
Como aproveitar as sobras e desperdiçar menos?
O desperdício também é dinheiro. Em 2024, as casas portuguesas geraram 105 kg de desperdício alimentar por habitante, segundo o Eurostat (dados atualizados em setembro de 2026). Algumas formas de o reduzir, sugeridas pela DGS:
- Arrumar a despensa e o frigorífico pelos prazos e consumir primeiro o que acaba antes.
- Cozinhar a pensar nas sobras: aquecidas no mesmo prato ou transformadas noutro, como pão em açorda, legumes em sopa ou fruta madura em compota.
- Congelar em porções de uma refeição, em embalagens identificadas e datadas.
Antes de deitar fora, veja que data tem a embalagem: «consumir até» e «consumir de preferência antes de» não querem dizer o mesmo. A diferença explica-se no guia «Consumir até» ou «consumir de preferência antes de».
A marca branca é boa opção?
As marcas próprias, também chamadas «marca branca», são produtos vendidos com a marca da própria loja. A DGS aconselha a experimentá-las e descreve-as como também saudáveis e de menor custo. Para escolher entre produtos semelhantes, a DGS sugere comparar os preços unitários e ver o rótulo nutricional.
Se o preço por quilo faltar ou não bater certo, a fiscalização cabe à ASAE, que recebe denúncias eletrónicas.



